Cinto de segurança estava quebrado, diz cadeirante que caiu em ônibus

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Uma cadeirante de 37 anos que se feriu enquanto seguia de ônibus para o trabalho na terça-feira (13) em Ribeirão Preto (SP) relatou que se acidentou porque o cinto de segurança no interior do veículo estava quebrado e sem condições de ser utilizado. Com a queda, Ana Carla Lopes teve uma fratura na tíbia da perna esquerda.

A Transerp, empresa que gerencia o transporte público em Ribeirão, informou que apurará as causas do acidente e que punirá os responsáveis caso necessário. O Consórcio Pró-Urbano, responsável pelas linhas que circulam diariamente pela cidade, comunicou que abrirá uma sindicância sobre o caso.

Ana Carla relata que a queda aconteceu durante a manhã enquanto o circular passava perto do Estádio Santa Cruz, no bairro Ribeirânia, durante uma manobra inesperada. Segundo ela, o acidente poderia ter sido ainda pior. “Eu estava indo para o meu trabalho como faço todos os dias em um ônibus circular. Eu estava sem cinto de segurança, porque ele está quebrado e não arrumaram ainda. Na descida perto do estádio do Botafogo, o motorista brecou para pegar e deixar passageiros no ponto e, por não estar presa, eu cai em cima da minha perna e a quebrei em dois lugares. Por pouco não cai na escada”, afirma.

Segundo Ana, problemas são frequentes nos ônibus de Ribeirão Preto. "Tem elevador quebrado, a mureta onde se encosta a cadeira de rodas está quebrada, alguns sem cinto de segurança e estão sempre andando em alta velocidade. É um descaso conosco. Os motoristas não estão preparados para mexerem nos equipamentos nem para atender as nossas necessidades. Eles têm que entender que não estão carregando bonecas em cadeiras de roda, estão com gente, com seres humanos", disse.

A cadeirante se diz revoltada com o que aconteceu. "Não tenho como ficar sem trabalhar. O médico me deu afastamento de sete dias, mas depois devo voltar. Meu marido está desempregado e eu tenho um bebê de cinco meses pra cuidar."

Acidente
A cadeirante de 37 anos ficou ferida depois de cair dentro de um ônibus na manhã de terça-feira. Ana Carla seguia para o trabalho quando caiu durante a parada em um ponto no bairro Ribeirânia, zona leste da cidade. O marido dela, Genêsio Nazário, contou que Ana machucou a perna e estava com muita dor. De acordo com Nazário, há mais de um ano a mulher espera por uma vaga no transporte especial para portadores de deficiência – o sistema "Leva e Traz".

Ana foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio, onde passou por exames e depois foi transferida para o Hospital Santa Lydia, em que foi constatada fratura na tíbia da perna esquerda. Ela passará por acompanhamento e deve retornar ao hospital em 20 de maio para realizar novos exames.

Transerp
A Transerp informou que está apurando as causas do acidente e que enviou representantes para prestar ajuda à família da vítima. No entanto, a autarquia não respondeu sobre as denúncias feitas pela cadeirante contra o serviço de transporte coletivo da cidade. Questionada sobre a demora para se conseguir uma vaga para a cadeirante que se acidentou no ônibus,o departamento, novamente, não respondeu.

Pró-Urbano
Por telefone, a assessoria de imprensa do Consórcio Pró-Urbano confirmou que abrirá uma sindicância interna para apurar as causas do acidente e ressaltou que, desde o início, prestou assistência à vítima e sua família.

Fonte: G1