Pessoas com deficiência visual e auditiva têm cobertura especial da Copa na Granja

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Mão aberta acima da cabeça, como se fosse um topete, para representar o jogador Neymar. Mão no bigode para simbolizar o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Mão com dedos abertos para mostrar as traves  para identificar um gol. É assim que as pessoas com deficiência auditiva que estão cobrindo os treinos na Granja Comary, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, fazem para se comunicar com os internautas que assistem a um programa especial que busca inclusão de surdos, mudos e também cegos no noticiário da maior paixão nacional.

Exibido pelo site www.tvines.com.br, o Super Ação é um dos programas da TV Ines, do Instituto Nacional de Educação de Surdos, entidade referência na educação de surdos no país, e da Associação de Comunicação Educativa Roquette-Pinto (Acerp), que é exibido na web. O site está no ar há um ano.

Acompanhados da intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) Andreza Macedo, os apresentadores Clarissa Guerretta e Renato Nunes fizeram perguntas em coletiva de imprensa e produziram reportagens sobre a história vitoriosa do técnico Felipão e do coordenador técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira.  O programa tem legendas, áudio e sinais de Libras, para que todos possam acompanhar o noticiário esportivo.

Professora de Libras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Clarissa afirma que cerca de 3 mil pessoas acessam o canal e diz que seu principal desafio na cobertura é encontrar espaço, em meio a tantos jornalistas, para fazer os sinais e se comunicar. “É a primeira vez que um surdo participa de uma coletiva de imprensa. É necessário que a gente esteja sempre com um intérprete, porque eu e a intérprete somos como uma pessoa só, para que que eu possa entender e me fazer entender”, diz Clarissa.

Sinais, aliás, que eles, como usuário de Libras, têm liberdade para criar: os apresentadores identificam o jogador Hulk, por exemplo, não apenas soletrando o nome dele, mas inventaram um símbolo único, com as mãos fortes como o personagem da história em quadrinhos. E, depois, difundem o símbolo para a comunidade surda, de 9,7 milhões de pessoas no Brasil (5,1% do total da população), segundo o Censo 2010 do IBGE.

“Os surdos se interessam mais porque sabem que tem a língua dos sinais para o que estamos transmitindo”, afirma Renato. 

Fonte: Terra