Cães ajudam no desenvolvimento de crianças com deficiência em escola de Porto Alegre

Compartilhe:

Uma escola da rede municipal de Porto Alegre que atende autistas e alunos com outras deficiências desenvolve projeto pioneiro, que envolve a contação de histórias com a participação de três cães.

Samantha Elisa tem três anos e é muito dócil e carinhosa. Já Nith tem dois anos e meio e é independente e tão afetuosa quanto a companheira. Bob Borges é mais velho e o mais antigo no pedaço, mas também faz muito sucesso por onde passa. Juntos, os três cuscos estão contribuindo para mudanças importantes no comportamento e na qualidade de vida dos cem alunos da Escola Municipal de Ensino Especial Professor Luiz Francisco Lucena Borges, no Jardim Sabará, na Capital.

O projeto Biblio Pet Terapia é uma iniciativa pioneira entre as escolas especiais do município, idealizada pela professora Maria Beatriz Santos Guterres. Há seis meses, oferece aos alunos com idades entre seis e 21 anos, autistas e com outras deficiências, a combinação da literatura, por meio da contação de histórias, com a participação dos cães adestrados. A interação dos pets com alunos que têm dificuldades motoras, afetivas, de aprendizagem e de socialização tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de cada um.

“Os cachorros fazem parte da vida da nossa escola. Estão aqui para auxiliar, acompanhar e fazer com que os alunos consigam se expressar de diferentes formas”, comenta Maria Beatriz.

Carinho é exercício
Na turma do segundo ciclo, a chegada de Nith e Samantha Elisa fez Sharise Almaleh, 17 anos, aplaudir, enquanto Juliana Pereira Braun, 14 anos, acolheu Nith em seus braços. Chandler dos Santos Loba, 15 anos, fez um carinho na barriga da cachorrinha de coleira laranja, que recebeu um petisco. Já Victor Hugo Sasset Luchese, 16 anos, que no início do projeto ficava nervoso na presença dos cães, deu um abraço em Samantha. Fazer um carinho, por exemplo, trabalha a afetividade, mas também é um exercício de motricidade. E outros desafios vão surgindo com a convivência. Outras turmas participaram de atividades com Nith e Samantha no pátio e na horta.

“Eles estão aprendendo a respeitar todas as formas de vida”, observa a vice-diretora Katiuscha Genro Bins. Alternadamente, os cães são levados à escola três vezes por semana.

Mães comemoram benefícios
Mãe de Chandler, a dona de casa Inajara Machado dos Santos, 40 anos, comemora os avanços do filho, que tem transtorno mental. A insistência de Nith em manter o contato com o aluno trouxe benefícios.

“Ele falava na Nith e eu pensava que era uma colega. Depois que fui saber que era uma cachorrinha. Em contato com ela, passou a ter mais carinho com a gente. Hoje ele é outra pessoa” conta Inajara, que participa de oficina estendida aos pais.

Quem são os pets
Maria Beatriz conta que Samantha Elisa foi a única sobrevivente de uma ninhada vítima de maus-tratos. Já Nith foi abandonada na Restinga aos quatro meses. Resgatadas pela professora, que é a tutora delas e de Bob Borges, eles demonstraram características fundamentais para o trabalho com crianças e adolescentes especiais. Passaram por adestramento durante seis meses e mantêm contato permanente com o adestrador. Eles são vacinados e se alimentam de ração.

Bob Borges no DG
Em janeiro de 2010, Bob Borges (o sobrenome é em homenagem ao nome da escola), um border collie misturado com vira-latas, foi citado numa reportagem do Diário Gaúcho. A comunidade da Escola Professor Luiz Francisco Lucena Borges estava desolada porque o mascote acolhido pela escola havia sumido e decidiu iniciar uma campanha para encontrá-lo. Um ano e meio depois, ele foi recuperado a participa do Biblio Pet Terapia.

PARA AJUDAR
* A escola aceita doações de ração para os cães, auxílios para vacinação e transporte dos animais.
* Mais informações: 3338-3350.

Fonte: Bicharada