Senador Fleury é considerado um soldado na luta pela acessibilidade

Compartilhe:

Desde que chegou ao Senado, em julho, Fleury (DEM-­GO) tem, entre as principais bandeiras, a promoção cada vez maior da acessibilidade e da mobilidade urbana tanto nas ruas dos municípios quanto nas dependências da Casa. O Jornal do Senado conversou com o parlamentar, que é cadeirante, a respeito dos projetos dele para a ­melhora da acessibilidade. Outros assuntos abordados foram a Lei Brasileira da Inclusão — novo nome do Estatuto da Pessoa com Deficiência — e as iniciativas que ele tomou para que a população da cidade de Quirinópolis (GO), onde mora, passasse a respeitar, de maneira efetiva, as vagas destinadas às pessoas com deficiência.

Acessibilidade na Casa

“Logo que aqui cheguei, fui muito bem recebido pelo presidente Renan Calheiros, que chegou a me nomear um soldado na luta por essa causa da acessibilidade. As minhas reivindicações vêm sendo atendidas e o secretário-geral da Mesa [Luiz Fernando Bandeira] está acompanhando espontaneamente o processo. Nas comissões permanenentes, por exemplo, todas as portas passaram a permitir o acesso de cadeiras de rodas. Outra coisa que conseguimos foi uma vaga de estacionamento para pessoas com deficiência na Chapelaria, que é a entrada oficial desta Casa. Era uma falta de respeito muito grande com deficientes e idosos a dificuldade que eles tinham de entrar aqui. A bandeira da acessibilidade é a minha principal luta aqui dentro.”

Questão de dignidade

“Na Câmara, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) já conseguiu. Fiquei impressionado com as mudanças lá. Nós vamos chegar a esse ponto aqui também. Precisamos que todos os órgãos públicos deem dignidade e acessibilidade às pessoas com deficiência. Sempre digo a quem vem conversar comigo que passe um dia na cadeira de rodas. Tenho certeza de que teríamos muitas rampas construídas e  calçadas rebaixadas.”

Poder público

“Essa é uma discussão que deve ter o envolvimento do governo federal, dos estaduais e dos municipais, especialmente destes últimos. As pessoas moram nos municípios. Os prefeitos deveriam padronizar as calçadas, por exemplo. Elas deviam ser antiderrapantes. As prefeituras podiam fazer das calçadas antiderrapantes o símbolo de boa gestão e política pública de inclusão.”

“Respeite”

“O Símbolo Internacional de Acesso sensibiliza a muitos, mas não a todos. O PLS 271/2014 inclui a palavra ‘respeite’ nas vagas destinadas às pessoas com deficiência. Acho que essa palavra vai doer um pouco em quem resolver parar onde não deve. Acredito que se esse projeto for aprovado, vai ficar uma marca minha aqui. Que o povo leia a frase e efetivamente respeite o público-alvo das vagas. Tomei essa iniciativa, pessoalmente, em Quirinópolis, onde moro. O prefeito me autorizou e, pelo levantamento que fizemos, a quantidade de gente que ia estacionar e desistiu após ler a frase foi bastante significativa.”

Bicicletas

“Estamos preparando um projeto que dá incentivo fiscal às empresas que venham a financiar a compra de bicicletas para que os funcionários se desloquem para o trabalho. Brasília, especialmente, oferece essa condição. É importante destacar que cada nova bicicleta tira um carro da rua, o que diminui esse trânsito sufocante que temos, que só desgasta ainda mais o trabalhador.”

Lei da Inclusão

“Eu, [o autor do projeto] o senador Paulo Paim (PT-RS) e a deputada Mara Gabrilli [relatora] vínhamos conversando sobre esse tema. O nome Lei Brasileira da Inclusão me parece mais fácil e menos chocante do que o anterior. Fiquei muito sensibilizado com o que li. A deputada, que também é cadeirante, coordenou um trabalho com mais de 1,2 mil pessoas. O texto está vindo para o Senado e espero que seja aprovado o quanto antes. A lei como um todo é altamente favorável às pessoas com deficiência. Seria injusto destacar um ou dois pontos. Posso garantir que será um ganho significativo para essa parcela da população do Brasil.”

Fonte: Agência Senado