Biblioteca Braile oferece possibilidades de inclusão social a cegos em Manaus

Acervo da Biblioteca conta com mais de mil livros em braile, 4.020 livros falados ou no formato audiolivros; cursos de braille e música são ministrados no local.

Homem de meia idade está em frente a uma das estantes da blblioteca e toca a capa de um livro com as mãos.
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Desde 2006, Nilo Lopes, de 47 anos, aprende a lidar com a deficiência visual. Porém, das terças às sextas-feiras dos últimos cinco anos, o ato de enxergar criou outro significado. “O olhar não faz falta nenhuma”. É assim que o técnico eletrônico industrial se sente na Biblioteca Braile do Amazonas, localizada no Bloco C do Sambódromo, no Dom Pedro, zona Centro-Oeste de Manaus.

O acervo da Biblioteca conta com mais de mil livros em braile, 4.020 livros falados ou no formato audiolivros, 102 filmes com audiodescrição e 25.000 livros digitalizados. Outra atração são as aulas de violão, às quartas e sextas, e de teclado, às terça e quinta. “Aqui, tocando música, a gente nem pensa na deficiência. A gente ouve o que tá vindo do coração e é uma satisfação”, conta Nilo que frequenta a Biblioteca Braile há cinco anos e sente como se fosse parte de sua casa.

O local possui 290 cadastros. “Além de frequentar o local, as pessoas podem emprestar os livros e combinar com a gente para o dia de entrega. Atendemos desde crianças, mas o nosso maior público é o infanto juvenil até idosos. As pessoas sentem a acessibilidade e, com isso, ficam mais confortáveis”, conta a assessora administrativa da Biblioteca, Karen Cordeiro.

Sobre os livros do local, a assessora destaca que estes são doados pela Fundação Dorina Nowill e também produzidos pela própria biblioteca. Obras de ficção contemporânea, literatura brasileira e técnicos se destacam no acervo. “Também fazemos a adaptação do livro de tinta para braile ou em formato de áudio que ficam no nosso acervo. Muitas pessoas utilizam esse recurso de tradução, pois os livros disponibilizados pelas faculdades ou cursos não são acessíveis. Gratuitamente realizamos essa conversão”, explica Cordeiro, acrescentando que o tempo de produção depende do formato entregue e do tamanho da obra.

Quem já teve auxílio das produções foi historiadora Renata Moraes, 32. Após frequentar o local há mais de dez anos e usufruir do acervo, ela começou a trabalhar na biblioteca. “Sou formada em História e tenho a vontade de ser professora de braile. Os livros me ajudaram quando estudei para concursos e também em estudos para a pós graduação. Aluguei livros sobre a Constituição Federal, Direito Legislativo e Informática”, conta.

A Biblioteca também oferece curso de braile gratuito no horário de funcionamento da biblioteca, de segunda a sexta de 8h às 17h. Os interessados podem realizar o agendamento através do contato 3622 0869.

Voluntários

O coordenador da Biblioteca Braile, Gilson Pereira, que também é deficiente visual, conta que o local busca voluntariados para agirem como ledores, aqueles que leem os livros para a gravação das obras do acervo. “O voluntário vem aqui, realiza um teste de leitura e pode gravar um livro que é demandado. Hoje, temos duas, para as outras obras são utilizados a voz sintetizada pelo computador, mas confesso que a humana é bem melhor, pois consegue ser mais fiel ao que está escrito”, explica.

Parcerias

Pereira destaca que voluntários já aturam em outras parcerias do local. Fundada em 1999, a Biblioteca era focada em criar e expandir o acervo. Já a partir de 2003, o foco da casa passou a dar apoio aos deficientes visuais para adentrar na Universidade Estadual do Amazonas “Nós tínhamos grupos de voluntários ledores de diversas matérias para o grupo de estudo para o vestibular. Em 2004, o primeiro adentrou. No total, naquele ano a UEA tinha 28 alunos cegos e de baixa visão”, contou.

“A partir de 2009, a tarefa era implantar nos espetáculos do Teatro Amazonas a auto descrição”, diz Gilson. “Vale destacar que aquele preconceito do cego como coitadinho já passou, hoje só não lê quem não quer”, completou Gilson.

Foto: Isabelle Marques

Fonte: D24am

11 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

  3. em algumas companhias de avião (Latam, Gol…) só é permitido o voo gratuito do def.fisico em caso de tratamento médico comprovado, para isso deve preencher cadastro valido por um ano, no caso do acompanhante terá 50% de desconto na viagem. melhores informações no Youtube “Pessoas com deficiência terão passe livre em aviões” ou similares. boa sorte

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