“Para mim é um grito de liberdade”, diz homem com deficiência visual ao defender cães-guias

Ato simbólico na avenida Paulista, “Cãominhada” chamou a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade

Homem está ajoelhado, abraçando um cão-guia.
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Quem esteve na avenida Paulista na última quarta-feira (27), em São Paulo, pode ter se deparado – e ficado encantado – com a “Cãominhada”, um ato simbólico que chama a atenção para a inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade e pede mais direitos e respeito à legislação que garante o livre acesso de cães-guias a estabelecimentos, meios de transporte e locais públicos.

Com nove cães-guias e seus respectivos condutores, o evento fez sucesso. Algumas pessoas chegavam a recusar, de cara fechada, os panfletos da manifestação, mas mudavam de humor ao ver os cães.

Só que para quem pensa que o grupo não tem motivo para protestar, o atual cenário brasileiro mostra que há razões sim. O país possui 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, 582 mil cegos e seis milhões com baixa visão, de acordo com o Censo 2010 conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E dentro deste número, apenas 100 cães-guias servem à população que sofre com a deficiência visual, de acordo com o instituto IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), que organizou o evento.

O grande déficit se dá em parte por conta do custo e da dificuldade em se treinar o cão-guia. Segundo Thays Martinez, presidente da IRIS, a capacitação dos cães da instituição é feita em parceria com profissionais norte-americanos e, por conta disso, é um processo demorado. “A formação requer investimento, cuidados especiais e é um trabalho que só pode ser executado por profissionais especializados”, afirma.

A própria Thays tem deficiência visual e conta que a transformação que o cão-guia traz é impressionante. “O que um cão-guia promove na vida de um cego é incrível. Tanto que costumo dizer que divido minha vida em antes e depois do Boris, meu primeiro cão-guia. Eles nos permitem caminhar com muito mais segurança, liberdade e autonomia. Hoje, estou com meu segundo cão-guia, o Diesel, e não consigo me imaginar ficando sem o auxílio e a companhia desses seres iluminados”, explica.

União inexplicável

Aos 34 anos, Rafael Braz, instrutor no Senai-SP, é uma dessas pessoas com deficiência visual que contam com o auxílio de um cão-guia, no caso, o Ozzy, que tem 5 anos e 3 meses, mas está com ele há quase três anos. “Ele é mais do que meus olhos. É minha vida, meu companheiro, meu amigo, pai, filho. Ele é tudo.”, conta sem economizar nos elogios.

A relação deles mostra a importância do animal na vida de Rafael. “São dois que se formam um”, diz ele, explicando que o perfil do condutor, dono do cão, é muito compatível com a personalidade do animal. “Um depende do outro. Um precisa do outro para comer, para andar, etc. É o encaixe perfeito de uma necessidade em comum. Eu só tive a sensação do vento batendo em meu rosto, quando saí, livre, com o Ozzy. Um amigo para conversar na caminhada, não ficar solitário”.

E foi pensando no Ozzy que Rafael participou da “Cãominhada”. Para ele, é a população reivindicando os direitos de seus cães. “Para mim é um grito de liberdade. Um pedido de direito para os cães-guia. Ainda existem descriminação com o cão guia, eles precisam trabalhar em paz. Ainda há lugares em que o cão não pode entrar em paz, sem ser barrado, mas não deveria existir. Principalmente, táxis, ubers e ônibus”.

Campanha

Além da “Cãominhada”, a instituto IRIS também montou uma campanha de arrecadação online para ampliar o número de pessoas que precisam de cães-guias no país.

O projeto permitirá a doação de cães-guias a brasileiros cegos, além de custear o treinamento dos animais, que chega a R$ 35 mil por cachorro. Ambos precisam viajar para os Estados Unidos para um período de treinamento conjunto.

“São 26 dias de capacitação de condutores com os novos cães-guia, um treinamento que tem o objetivo de adaptar ambos a uma nova rotina. Nesse período, um instrutor brasileiro ministra aulas, em português, que incluem conhecimentos sobre cuidados diários com os cães, trajetos (em cidades e zona rural) e condução”, conta Thays.

Serviço

Campanha: Quanto vale o seu olhar?
Organizador: Instituto IRIS (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social)
Causa: Treinar e doar cães-guias para pessoas com deficiências visuais
Como contribuir: Doando a partir de R$ 20 pelo site da campanha no Kickante.

Fonte: BOL

11 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

  3. em algumas companhias de avião (Latam, Gol…) só é permitido o voo gratuito do def.fisico em caso de tratamento médico comprovado, para isso deve preencher cadastro valido por um ano, no caso do acompanhante terá 50% de desconto na viagem. melhores informações no Youtube “Pessoas com deficiência terão passe livre em aviões” ou similares. boa sorte

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