Documentário retrata a vida e os desafios de paratletas brasileiros

‘Paratodos’ acompanha quatro equipes paralímpicas e apresenta o cotidiano de vários esportistas de alta performance: a pressão, as vitórias, derrotas e seus conflitos pessoais e profissionais

Nadadora Susana Schnarndorf está de lado, beijando uma medalha com a cabeça erguida.
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Antes do início da prova de 200 metros rasos nas Paralimpíadas de Londres, em setembro de 2012, o atleta sul-africano Oscar Pistorius sorria confiante de sua vitória. Até então considerado como o maior atleta paralímpico, nos últimos segundos da corrida se vê surpreendentemente ultrapassado pelo brasileiro Alan Fonteles. “Ele simplesmente chegou de lugar nenhum”, exclama o narrador nas primeiras cenas do documentário Paratodos, que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Salvador, Palmas e Londrina.

O filme dirigido por Marcelo Mesquita vai muito além do esporte como inclusão social de pessoas com deficiência. Ele mostra o cotidiano de esportistas profissionais de alta performance que têm uma intensa rotina de treinamentos, que suportam altos níveis de pressão e de cobrança – própria, dos treinadores, patrocinadores e do comitê – e que têm seus conflitos internos, suas dúvidas e fraquezas, assim como qualquer pessoa. Além de tratar sobre superação e quebra de barreiras, o longa-metragem também sai do lugar comum porque aborda questões pessoais como autoestima, perfeccionismo e o companheirismo entre os paratletas.

De 2013 a 2016, a equipe do filme acompanhou de perto as equipes paralímpicas de natação, atletismo, canoagem e futebol em campeonatos realizados na França, no Canadá, Japão, na Itália, no Catar e Brasil. Além de Alan Fonteles, Paratodos traz as histórias do nadador Daniel Dias; do ex-Big Brother e tetracampeão de paracanoagem Fernando Fernandes; da velocista Teresinha Guilhermina; da nadadora Susana Schnarndorf; de Yohansson do Nascimento, do paratletismo; Fernando Rufino Cowbói, da paracanoagem; e de Ricardinho, que é jogador de futebol de 5.

Depois de alguns minutos em frente à tela, desaparecem as deficiências e fica apenas a imagem dos esportistas como um todo. A cada prova mostrada, vem junto a tensão, a pressão, as alegrias da vitória, as decepções e os entraves da classificação, que divide os “níveis” de deficiência. Não ficam de fora as arrogâncias, questões ligadas à autoestima, o bullying, os momentos de descontração e de companheirismo entre os atletas.

A superação dos próprios limites é um tema presente do início ao fim do longa-metragem, porém ela vai além das limitações impostas pelas deficiências físicas. A busca pelo tempo cada vez melhor, pela performance perfeita, pela medalha de ouro e pelo primeiro lugar no pódium estão lá da mesma forma que estariam se os esportistas em foco não fossem paratletas. “Se você olhar para o que uma pessoa pode fazer em vez do que ela não consegue fazer, a perspectiva muda e perde-se a visão de coitadinho”, afirma Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Esporte como trabalho e motivação

“O esporte paralímpico não é só inclusão social. No começo, ele é inclusão social, mas quando chega aqui, ele é alto rendimento, é performance. Isso aqui é meu trabalho, eu sobrevivo disso”, declara Fernando Fernandes, da paracanoagem. Além de ser o trabalho desses paratletas, o esporte é, muitas vezes, o que os mantém vivos e motivados.

É o caso da ex-triatleta, hoje nadadora, Susana Schnarndorf, a única atleta da delegação paralímpica brasileira a ter representado o país tanto entre os convencionais, antes de sua doença se manifestar, quanto entre os paralímpicos. Uma das principais triatletas brasileiras, com participação em 13 edições na prova Iron Man, ela descobriu por volta dos trinta anos que tinha uma grave doença degenerativa que faz com que seu cérebro fosse aos poucos “desconectando” e “desligando” suas funções.

“Foi um ano bem difícil. [Diziam] ‘Você tem 6 anos de vida, 3 anos de vida…’ E eu tinha uma filha de seis meses nessa época. Foi difícil pra mim aquilo. Ninguém tem bola de cristal para saber quanto tempo você tem aqui, mas eu decidi fazer do tempo que eu tenho aqui o mais feliz que eu posso ter”, afirma Susana. Foi por meio da natação que ela conseguiu recuperar parte de seus movimentos e voltou a competir como paratleta.

Além levar essas histórias às telas dos cinemas, Paratodos também estará disponível para exibição em instituições, organizações sociais que trabalham com a inclusão da pessoa com deficiência e em escolas da rede pública de ensino espalhadas por todo o país. O desafio é chegar a 2 mil unidades escolares e aproximadamente 200 mil alunos até o fim de 2016. Para promover a exibição, é preciso se cadastrar no site de mobilição Taturana Mobi.

Fonte: Rede Brasil Atual

9 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

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