Síndrome do pânico será a doença do ano por causa do coronavírus

‘Já recebi inúmeros casos de pessoas que chegaram a desmaiar nesta semana’, diz o psicanalista Fabiano de Abreu

Foto de uma mulher com expressão assustada com a mão a boca
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Em épocas em que o pânico é cenário, a realidade pode trazer consequências, por vezes graves, à saúde dos indivíduos. É o que diz o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu.

O psicanalista esclarece que a conjuntura atual favorece o aparecimento de síndromes relacionadas com o pânico e que o isolamento pode ser a ignição para elas. 

A ideia de isolamento causa transtorno e mais ainda se nos depararmos com a incerteza de quando terminará. A liberdade global se choca com esta nova vivência. As plataformas de mídias sociais, lançam alertas a todo o momento, saturam de informações que aos poucos começam a angustiar, a trazer um mal-estar permanente, uma tristeza instalada. 

Se a isso juntarmos outras condições que já possamos ser portadores, como é o caso das pessoas hipocondríacas, todo o panorama geral piora. Conseguimos imaginar o que será o mundo neste momento para quem sofre deste tipo de síndrome? Nestes casos, o pânico pode chegar a extremos, ultrapassando a barreira, o limite e pode resultar, até mesmo, em uma tragédia.

A forma como cada um responderá perante esta situação está relacionada com a personalidade e percurso de vida, como nos explica Fabiano. “Cada um tem o comportamento reflexivo de acordo com a sua personalidade, resultado da sua história de vida, experiências e nuances psicológicas. Há quem em pânico vá saquear, outros atingir o próximo de alguma maneira e uns até poderiam se matar. Na Espanha houve casos de pessoas a pedir para serem presas”.

Existem indivíduos que quando confrontadas com algo alarmante, o seu nível de fobia e pânico é tal, que chegam mesmo a experienciar sintomas físicos de doenças. Pessoas que tendem a ficar com náuseas mesmo sem chegar ao vômito, que sentem dormência nos membros, dificuldade de locomoção, formigueiro, entre outras.

Convém lembrar que mesmo que os sintomas não estejam relacionados com uma doença mais séria e concreta eles estão de fato a acontecer naquele indivíduo. É o pânico a tomar conta dele, a ganhar terreno à racionalidade. “Já recebi inúmeros casos de pessoas que chegaram a desmaiar durante essa semana”, comenta Fabiano.

Outro importante aspecto a referir é a consequência que o pânico tem a nível mental e como se pode traduzir numa doença mais grave. “O pânico também pode ocasionar problemas mentais como acionar uma doença pré existente que precisava de um um pico no sistema nervoso para aparecer. Também pode ocasionar problemas cardíacos e traumas psicológicos”, completa.

Faça com que cada dia conte e tenha significado

Apesar dos tempos difíceis e de incerteza que vivemos, ceder-lhes não deve nunca ser uma opção. Devemos nos adaptar à nova realidade e tirar o maior partido possível dela.

“Partindo desta conjunção, há pequenas coisas que podemos começar a fazer para que a rotina diária se torne mais leve e proveitosa. Primeiramente, para controlar o pânico, devemos buscar informações de maneira consciente, avaliar possibilidades, utilizar de nossa inteligência emocional para que com o uso da razão e racionalidade, possamos avaliar o conteúdo da informação e buscar sempre o lado positivo mesmo em uma tragédia”.

“Por exemplo, o coronavírus é perigoso? Sim, mas mata menos que muitas outras doenças e, se nos mantivermos imunes, sobreviveremos. O mundo não vai acabar. No trabalho, a crise preocupa? Faça uma gestão de crise e a utilize ao seu favor. Busque o ponto de equilíbrio para meditar sobre o que terá que ser feito e como buscar soluções para que seja menos afetado por esses males.” 

Crie outras estratégias, use o tempo livre para fazer um balanço da sua vida profissional e faça os ajustes necessários. “Procure novas opções de negócios e esteja atento às medidas e leis que o país vai emitindo. Use o tempo para reforçar laços familiares, conversem sem pressa, façam atividades juntos, discutam em conjunto planos do que fazer quando tudo terminar”, aconselha.

Aproveite este tempo para se desligar um pouco do virtual e viva o real com a sua família. “Procure lugares em que se possa conectar com a natureza, o jardim da sua casa, um pequeno parque. A maioria das pessoas não têm tempo no seu dia-a-dia para aproveitar momentos assim”, lembra Abreu.

A atitude positiva em relação às adversidades é sempre a melhor opção e confere mais força na luta. “Vamos encarar estas circunstâncias como dias de fazer um “reset” e colocar tudo no lugar, mas sem ceder à preguiça. Devemos nos manter ativos para que a rotina a que estávamos habituados não desapareça totalmente”.

Pois assim será, resistência, resiliência e sobrevivência, remata o especialista.