Iniciativa insere pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Programa Catalisa está com inscrições abertas para ensinar linguagem de programação para pessoas com deficiência

Foto em close de duas mãos digitando no teclado de um notebook. Na tela do equipamento, há uma tela preta com linhas de códigos.
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O Programa Catalisa, promovido pela empresa ZUP, de São Paulo (SP), está com inscrições abertas e gratuitas para ensinar linguagem de programação e capacitar pessoas com deficiência para o mercado de trabalho.

Os participantes aprenderão as linguagens Java, Kotlin ou React, aplicadas em projetos para clientes reais. Para mais informações e realizar a inscrição para concorrer a uma das vagas, basta acessar ao site do Programa Catalisa.

Depois de se inscrever no programa e passar pelas etapas iniciais, os participantes serão contratados pela Zup por três meses, em regime temporário. Após esse período, será feita uma avaliação de dedicação e potencial individual, que pode levar o participante a ser contratado definitivamente pela empresa.

A princípio, o treinamento aconteceria presencialmente a partir de setembro, porém, devido às medidas de isolamento social provocadas pelo novo coronavírus, as aulas ocorrerão online.

Experiência de causa

O interessante do Programa Catalisa é que ele é encabeçado por quatro integrantes da empresa que possuem deficiências ou limitações diversas. Por isso, os líderes compreendem as dificuldades que muitas pessoas com deficiência encontram em se estabelecer no mercado de trabalho.

A UX Designer Joyce Rocha está no espectro do autismo; a lead de acessibilidade digital e UX Jana Bernardino é possui deficiência visual; a Talent Acquisition Fernanda Oliveira tem deficiência física; e a estrategista de diversidade e inclusão Camila Bellato tem lúpus, uma doença autoimune.

No caso de Camila, há ainda outro empecilho: o lúpus não é considerado uma deficiência. Por isso, muitos empregadores a avaliavam como uma colaboradora com saúde física e mental normal quando, de fato, ela passou a vida convivendo com uma série de empecilhos provocados pela doença.

“Tenho lúpus há 18 anos, então já é mais da metade da minha vida convivendo com a doença e tive muitas complicações. Era difícil me manter no ambiente de trabalho, que era muito incompreensível [diante da minha condição] e explicar sempre pelo que eu passava, mas não ser julgada, avaliada de forma errada.”

Joyce, por sua vez, reforça o fato do autismo ser uma deficiência “invisível”, o que faz com que os processos inclusivos sejam mais difíceis. Depois de ter experiências difíceis em outros ambientes profissionais, Joyce, agora colaboradora da ZUP – e uma das responsáveis pelo Programa Catalisa – conta que uniu seus aprendizados ao de outras pessoas para pensar e compartilhar ideias que vão ajudar profissionais com deficiências.

“Nossa história individual é tão impactante para a gente pensar em relação a outras vivências e experiências mais significativas e positivas para toda essa galera que, muitas vezes, é excluída, discriminada”, afirma ela.

Nativa de Uberlândia, em Minas Gerais, a ZUP é uma empresa de tecnologia que atua há quase 10 anos na transformação digital de grandes empresas. Hoje, possui escritórios em Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina.

Fonte: R7