Dia Internacional das Línguas de Sinais: comunicação é para todas e todos

São mais de 500 milhões de pessoas com deficiência auditiva no mundo e o Brasil conta com 10 milhões delas, que dependem da Libras para se comunicar

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Com a explosão das transmissões ao vivo pela internet durante a pandemia, além de acompanhar artistas que admiram, as pessoas passaram a prestar atenção em um outro detalhe: os intérpretes da Libras. Se engana quem pensa que a língua de sinais é algo de interesse exclusivo dos surdos ou de quem convive e trabalha com eles. Este pensamento acaba por excluir, ainda mais, cerca de 5% da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Brasil, são mais de 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva, das quais 2,7 milhões possuem surdez profunda, ou seja, que não escutam absolutamente nada, que dependem da língua de sinais para se comunicar.

Cada país possui a sua própria língua de sinais e no Brasil a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o segundo idioma oficial, reconhecido através da Lei Federal nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e regulamentada pelo Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005, o que significa que toda a pessoa que dominar a língua pode se comunicar de maneira legítima. Porém, se apenas os surdos souberem continuarão pertencendo a um grupo isolado.

A intérprete de Libras do Senac São Paulo Michelle Cavalcanti faz um convite. “Faça um exercício de empatia e imagine que estudar Libras é algo similar a aprender um novo idioma como o inglês e espanhol, por exemplo. Consegue imaginar com quantas novas pessoas você conseguiria se comunicar?”.

Para aprender e se comunicar pela Libras não é necessário ser surdo

Aumentar a conscientização sobre a importância da língua para a inclusão das pessoas surdas e promover o uso da língua de sinais é justamente a principal proposta do Dia Internacional das Línguas de Sinais, celebrado todo dia 23 de setembro e idealizado em comemoração ao dia de criação da Federação Mundial de Surdos, em 1951.

A profissional explica como o aprendizado da língua pela população brasileira de uma maneira geral não apenas promoveria a inclusão, mas ajudaria a diminuir desigualdades. “Se o desconhecimento das leis é algo comum para ouvintes, imagine um surdo que não foi alfabetizado adequadamente? Por isso, quanto mais a Libras for expandida melhor será para o desenvolvimento do país”, afirma Michelle.

Veja algumas atitudes listadas pela intérprete que devem ser evitadas em relação aos surdos, assim como algumas dicas para ajudar em uma interação básica;

– Não grite com o surdo. Para conseguir se comunicar aprenda sinais básicos ou então fale olhando para ele e pausadamente. Uma boa articulação dos lábios pode facilitar a comunicação;

– Não aborde os surdos de surpresa, encostando nas costas, por exemplo. Imagine como você se sentiria se estivesse no lugar dele. Prefira abordá-lo olhando-o de frente e caso seja necessário chamar atenção toque em um dos ombros;

– O surdo não pode perceber mudanças de tons ou de emoções por meio da voz, por isso é preciso ser expressivo para demonstrar seus sentimentos;

– Cada país tem a sua própria língua de sinais, por isso aprender por meio de buscas na internet pode ser arriscado. Procure fontes seguras e especifique a região da língua de sinais que você deseja;

– O único sinal universal é o “I love you”, que em português significa “Eu te amo”;

– Para quem está começando a aprender a Libras, uma boa alternativa é escrever e mostrar para a pessoa, além das expressões corporais;

– Desperte a atenção para a memória visual: diferentemente das línguas orais-auditivas, que tendem a ter a sua atenção mais voltada para estes canais, a aprendizagem da língua de sinais requer um esforço maior para o desenvolvimento da percepção visual do mundo;

– Sempre fixe o olhar na face do emissor da mensagem. Desviar o olhar durante a fala de alguém pode ser considerado falta de educação e representar desinteresse no assunto;

– Envolva-se com a comunidade surda: como todo aprendizado de língua, o envolvimento com a sua cultura e seus usuários é muito importante. Portanto, não basta ir às aulas e revê-las por meio dos vídeos. É preciso também buscar o convívio com os surdos para poder interagir em Libras e, consequentemente, ter um melhor desempenho linguístico.

Fonte: Senac.

Além de contar com intérpretes especializados em Libras em todos os seus cursos, o Senac São Paulo também conta com os cursos Língua Brasileira de Sinais 1 e 2. Mais informações no site http://www.sp.senac.br/.