Agosto laranja: especialista chama atenção para aspectos ainda pouco discutidos sobre a esclerose múltipla

No Brasil, estima-se que existam 40 mil pessoas com a doença

Foto de uma mulher jovem com uma fita laranja na mão direita, próxima ao rosto.
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No mês que marca o Dia Mundial de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado hoje, 30 de agosto, o neurologista Alessandro Finkelsztejn, reforça a importância da conscientização da esclerose múltipla de maneira ampla. “A palavra conscientização é um termo abrangente, que vai desde a conscientização do paciente – no sentido de aceitação da doença, por exemplo – até a conscientização da sociedade como um todo”, explica.

De acordo com o especialista, apesar de muitos aspectos da doença já serem atualmente bastante debatidos, ainda existem desafios. Neste sentido, o médico chama atenção para a necessidade de o paciente ter um acompanhamento oftalmológico. “O acesso da população ao oftalmologista e neuroftalmologista deveria ser mais fácil. Quem tem esclerose múltipla, precisa ter acompanhamento dessa especialidade – uma vez que também pode ter complicações na visão. Também não posso deixar de falar que não é raro as pessoas confundirem alterações oculares simples (que podem ser tratadas com óculos ou uso de colírio lubrificante) com comprometimento grave do nervo óptico, e com isso acabam, muitas vezes, por falta de conhecimento ou acesso ao especialista, não tratando da maneira adequada”, ressalta.

A EM é doença autoimune, na qual o sistema imunológico ataca o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Seus principais sintomas são fadiga, problemas de visão (diplopia, neurite óptica, embaçamento), motores (perda de força ou função; perda de equilíbrio) e alterações sensoriais (formigamentos, sensação de queimação). Devido sua diversidade de sinais e sintomas, não é incomum o diagnóstico tardio da esclerose múltipla. Daí a relevância de estar vigilante. “Eu sempre digo que é importante o olhar atento dos familiares e dos médicos. A percepção de alterações cognitivas é fundamental. Se você perceber que antes (um familiar seu) conseguia executar atividades com uma determinada velocidade e destreza, e agora ele está dificuldade, é preciso estar alerta”, reforça Finkelsztejn.

Mas não é só isso. O médico também traz um alerta sobre outros aspectos relacionados à EM. “Estamos falando de uma doença que afeta adultos em pleno potencial produtivo: a esclerose múltipla é mais comum entre mulheres jovens (de 20 a 40 anos). Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são primordiais”, afirma.

Outros pontos abordados pelo Dr. Alessandro estão relacionados à importância da saúde vacinal e a necessidade de manter uma dieta equilibrada. “Estar com a vacinação em dia e dar a devida importância ao tema é fundamental para quem tem esclerose múltipla. Também não podemos deixar de falar da relevância de ter uma dieta saudável. Apesar de ainda não termos respostas bem definidas nesse quesito, sabemos que manter uma dieta equilibrada é fundamental: se alimentar com mais proteínas, mais leguminosas e folhas e menos carboidratos”, afirma.

Destaca ainda que, por se tratar de uma doença incapacitante com diferentes níveis de atividade, é de extrema importância que o tratamento da esclerose múltipla seja personalizado, de acordo com a necessidade de cada paciente.

Diante destas particularidades, o neurologista ressalta que é senso comum entre os especialistas a necessidade de o paciente ter acesso rápido a terapia mais adequada. “Nos casos de esclerose múltipla altamente ativa, existe uma tendência que sugere que quanto mais precocemente o paciente for diagnosticado e, tratado com medicações de alta eficácia, melhor será o controle da EM e estabilidade da doença. O atraso em atingir as medicações mais apropriadas pode facilitar a presença de surtos e de sequelas”, conclui.

Com informações de assessoria de imprensa. 

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