Fundação Dorina Nowill para Cegos incentiva a leitura acessível para pessoas cegas ou com baixa visão

Com o apoio do projeto, Rede de Leitura Inclusiva lança e-book com histórias de pessoas com e sem deficiência, sendo visual e surdez

Arte em fundo cinza com o texto "Rede de Leitura Inclusiva" e ao lado há a ilustração de um livro aberto dentro de um círculo
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No dia 29 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Livro. Por meio dele, as crianças e adultos aprendem, se divertem e adquirem conhecimento. A Fundação Dorina Nowill para Cegos reconhece a importância deste conteúdo para a educação e cultura e tem se dedicado a levar esse material para o maior número possível de pessoas.

A entidade atua com a produção e distribuição gratuita de livros em Braille, fonte ampliada, conteúdos digitais e audiolivros para todo o Brasil. Além disso, a instituição fomenta a Rede de Leitura Inclusiva, iniciativa que cria conexões em âmbito nacional com diversos parceiros que carregam o propósito de fomentar a necessidade da leitura.

“Nosso trabalho é incluir e transformar. Por isso, nós criamos diálogos com diversas pessoas que se interessam pela leitura acessível, sejam áreas da educação ou empresas privadas. A nossa área também incentiva que as pessoas cegas ou com baixa visão sejam protagonistas na criação das suas próprias histórias. E, um dos exemplos disso, são os debates virtuais que promovemos e que incentivam a escrita em Braille”, conta Perla Assunção, Articuladora da Rede de Leitura Inclusiva da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

O trabalho da Rede de Leitura, aliás, vai além. Com atuação em vários estados brasileiros, o grupo incentiva a produção de novos conteúdos acessíveis. Exemplo disso é e-book “Conte Uma História”, que foi desenvolvido com apoio da instituição. A publicação possui 12 textos diferentes, que foram escritos por pessoas cegas ou com baixa visão – a mais nova delas, uma criança de seis anos. A publicação é totalmente acessível e foi traduzida para a linguagem de libras.

Os autores foram selecionados a partir do projeto “Desafio Inclusivo BPSC: Conte uma História” lançado pela Biblioteca Pública de Santa Catarina e GT da Rede de Leitura de Santa Catarina. O e-book, será lançado hoje, 29 de outubro, às 16h00, em seu canal do Youtube.

Maior gráfica Braille da América Latina

Vale ressaltar que a instituição possui a maior gráfica Braille da América Latina. Com capacidade de impressão de cerca de 450 mil páginas Braille por dia, a área distribui mais de 221 mil livros acessíveis para todo o Brasil. Além disso, a instituição é responsável pela impressão Braille do maior projeto de produção de obras didáticas do mundo, o Plano Nacional do Livro Didático.

“Desde que foi inaugurada em 1946, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil nasceu com propósito de incentivar a produção gratuita de materiais em Braille para pessoas cegas ou com baixa visão. E até hoje carregamos esse propósito, por isso, a leitura é tão importante entre todas as atividades que promovemos, pois, garante autonomia, inclusão e carrega o legado pelo qual a instituição nasceu”, conta Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

A Fundação Dorina distribui gratuitamente livros em braille, falados e digitais acessíveis, para cerca de 3000 escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil. Ao longo dos anos, a instituição já produziu mais de 6 mil títulos e 2 milhões de volumes em braille. Também foram produzidas mais de 2,7 mil obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis.

Os pedidos para produção de livros chegam por meio de dois canais: via área Comercial, que lida diretamente com pessoas físicas e jurídicas que contratam as Soluções em Acessibilidade da Fundação Dorina. Ou por meio dos projetos de Leis de Incentivo, que subsidiam as nossas ações de promoção da leitura acessível.

Dados sobre leitura acessível no Brasil

Em 2019, a Fundação Dorina realizou pesquisa qualitativa e quantitativa junto ao Datafolha, que traçou o perfil das pessoas com deficiência visual com práticas de leitura, conforme apontam os dados abaixo. Na ocasião, a pesquisa mostrou que 57% das pessoas cegas ou com baixa visão têm interesse pela leitura, mas apontam grandes dificuldades para encontrar publicações acessíveis.

• O Braille é o único sistema capaz de alfabetizar as pessoas cegas ou com baixa visão, e é utilizado por 34% dos leitores.

• Quem carrega o hábito de leitura são, em sua maioria, mulheres de escolaridade elevada.

• Segundo os entrevistados, as editoras não se importam com a leitura acessível.

• As pessoas cegas ou com baixa visão informaram que os livros são uma de ampliar o conhecimento, promove experiências sensoriais e são formas de lazer.

• A pesquisa ainda mostra que 39% dos entrevistados costumam ler todos os dias, 57% têm interesse em livros e 71% deles sente prazer na atividade.

• Os gêneros mais procurados são os religiosos ou espiritualistas, que despertam o interesse de 76% dos participantes, seguidos por romances e dramas com 68%.

• 19% dos entrevistados sentem falta de materiais acadêmicos.

• 25% dos entrevistados atribuíram nota 9 ou 10 para a facilidade de encontrar livros didáticos, enquanto 61% classificaram esse processo com nota 6 – ou menor. O número diminui em avaliação qualitativa: só 13% atribuíram as duas maiores notas.

Com informações de assessoria de imprensa.

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