Dia do Orgulho LGBTQIA+: pessoas com deficiência e sexualidade

No dia 28 de junho, pessoas com deficiência também precisam ser representadas e incluídas no debate

Ilustração de um braço levantado com o punho fechado. Ao fundo, as cores do arco íris, representando a bandeira LGBTQIA+ com corações brancos.
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No mês de junho, é comemorado o Dia do Orgulho LGBTQIA+ (28). Dentre as pautas sobre diversidade e inclusão debatidas no período, há um grupo que recebe pouco destaque: as pessoas com deficiência.

Por serem PCD e também LGBTQIA+, essas pessoas têm uma vivência ainda mais desafiadora. Segundo dados do IBGE de 2019, cerca de 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência no Brasil, totalizando quase 25% da população. Ainda de acordo com o IBGE, 2,9 milhões de pessoas se dizem gays, lésbicas ou bixessuais, representando quase 2% da população brasileira.

O preconceito contra pessoas com deficiência

Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) oficializou o termo “Pessoa com Deficiência” como o mais adequado. Além disso, é estipulada pela LBI a pena de um a três anos de prisão para quem discriminar ou impedir os direitos e liberdades dessas pessoas – dentre as formas de discriminação, está o capacitismo.

O capacitismo é o ato de considerar alguém incapaz de exercer suas funções na sociedade e seus interesses pessoais devido a uma deficiência, seja motora, auditiva, visual, cognitiva ou múltipla. Esta prática discriminatória também está relacionada ao uso de frases, expressões, piadas e atitudes que envolvam, de forma pejorativa, características de pessoas com deficiência.

Este preconceito, quando somado a outras discriminações, torna a exclusão ainda maior. A diversidade é marcada por diversos aspectos que caracterizam uma pessoa, como cor, sexualidade, gênero, regionalidade, classe social, idade e deficiência, por exemplo, e quando esses marcadores se encontram, chamamos de “interseccionalidade”, um conceito sociológico relacionado às interações e aos marcadores sociais nas vidas de pessoas de grupos sub-representados.

O preconceito contra pessoas LGBTQIA+

Para pessoas com deficiência, torna-se especialmente difícil, dentre outras práticas, exercer sua sexualidade, uma vez que seus corpos são, muitas vezes, percebidos como infantis, assexuais ou hipersexuais pela sociedade e por seus parceiros ou parceiras. De acordo com um levantamento do site Observatório G, pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIA+ e que são PCD, sofrem mais preconceito na hora do sexo, por conta da procura pelo corpo ideal e por esteriótipos.

Por diversas vezes, a deficiência é encarada como uma barreira para todas as áreas da vida, inclusive nas relações afetivas. Este equívoco vem da crença de que pessoas com essas características são incapazes de viver uma vida sexual saudável. 

A falta de orientação sobre sexualidade e orientação sexual deixa PDCs em um lugar de vulnerabilidade e para que isso seja combatido, é preciso que o assunto seja debatido com naturalidade em diversos ambientes, para que esses grupos compreendam melhor seus corpos e suas necessidades, para que tenham sua independência e autossuficiência garantidos.

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