23ª Bienal do Livro traz publicações especiais para pessoas com deficiência

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Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre

Geralmente associados erroneamente apenas às pessoas que enxergam, os livros também podem ser desfrutados por pessoas com deficiência visual. Felizmente, esse é um mercado cuja importância tem crescido com o passar dos anos, da mesma forma como a causa da acessibilidade e a própria visibilidade das pessoas com deficiência na sociedade tem aumentado com o passar dos dias.

Segundo dados do Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de brasileiros declararam ter uma deficiência, o que corresponde a cerca de 23,6% da população total. Desse total, a maioria (18,8%) possui deficiência visual, 7% têm deficiência motora, auditiva (5,1%) e intelectual ou mental (1,4%).

Exemplos desse mercado são as publicações feitas por ou para essa parcela da população, divulgadas durante 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada de 22 a 31 de agosto, em São Paulo. A Fundação Dorina Nowill para Cegos expõe durante os 10 dias de evento os livros da coleção Braillinho Tagarela, que foram criados com o objetivo de integrar quem tem deficiência visual e quem não tem. Indicada para o público infantil, ao todo, são dez títulos infantis em tinta, braille e impressão em letra ampliada e imagens com relevo, que pode ser adquirido com ou sem CD, trazendo a leitura das historinhas em versões com e sem audiodescrição das ilustrações.

Imagem do DDRPara públicos mais adultos, a instituição também leva para a Bienal do Livro 2014, o DDReader, primeiro aplicativo de leitura para pessoas com deficiência visual, que permite que pessoas com parcial ou total ausência de visão tenham acesso a obras digitais por meio de smartphones e tablets. O aplicativo já está disponível gratuitamente para download no Google Play. Em um primeiro momento, quem adquirir o leitor poderá baixar, gratuitamente, três livros digitais no site da Fundação Dorina (www.fundacaodorina.org.br).

Capa do livro Minha metade silenciosaDisponibilizado pela editora Gutenberg, o livro de “Minha Metade Silenciosa“, Andrew Smith, de 304 páginas, conta a história de um garoto que sofre bullying por ser muito alto e magro e por ter apenas uma orelha. Stark ou “Palito” – apelidado assim por ser muito alto e magro – passa pela descoberta do amor, do sexo, do afeto e da amizade verdadeira estampada na figura de seu irmão mais velho, Bosten, de 16 anos que sempre o defende e o protege quando Stark é alvo de bullying. Em contrapartida, Stark e Bosten são passivos de surras, falta de afeto e isolamento em casa. Curiosamente, o livro foi editado com apenas uma “orelha”, na capa, e narrado com e s p a ç o s  e n t r e  a s  p a l a v r a s  para mostrar a maneira do protagonista ouvir.

Capa do livro Inclusão Educacional de Alunos com SurdezLançado na Bienal deste ano, o livro “Inclusão educacional de alunos com surdez – concepção e alfabetização“, de Márcia Honora, editado pela Cortez Editora, aborda um tema ainda relativamente escasso de informação: aprendizagem e inclusão de alunos surdos. Este livro de 198 páginas tem como objetivo levar ao conhecimento do professor do Ensino Fundamental – 1º Ciclo um completo entendimento de como incluir esses estudantes nas salas de aula regulares de todo o país, apresentando ferramentas e possibilidades educacionais sem mistérios, de uma forma clara e objetiva, tendo em vista a metodologia do bilinguismo.

Capa do livro O Mistério do Palhaço AzulNo livro “O Mistério do palhaço azul”, o autor André Luiz Pinheiro, que possui a Síndrome de Asperger, conta sua autobiografia e apresenta as características da síndrome e fala a respeito das decepções, barreiras, surpresas e alegrias que encontrou na vida. O autor é pedagogo e possui pós-graduações em Educação Infantil, Gestão e Auditoria Ambiental e em Educação Inclusiva. Além de atuar como Palhaço Xiririca em trabalhos sociais, André também possui uma rádio web (www.radioxiririca.com.br). O livro está disponível pela PerSe, uma webplataforma para autores independentes.

Acessibilidade

Capa do livro Acessibilidade - orientações para bares, restaurantes e pousadasVoltado para arquitetos e interessados em acessibilidade, o livro “Acessibilidade – Orientações para bares, restaurantes e pousadas“, da Cybele Monteiro de Barros, disponibilizado pela editora SENAC, traz soluções para adequar os ambientes de hospedagem e alimentação ao uso por pessoas com deficiências diversas e também para os idosos, parcela cada vez maior da sociedade e importante segmento do setor de lazer, turismo e entretenimento.

 

9 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

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