A luta pelo emprego

Compartilhe:
 Eduardo Shor, da reportagem do Vida Mais Livre
A funcionária de uma grande montadora de automóveis ligou para João Ribas para saber saber se ele conhecia algum candidato com deficiência para preenchimento de vaga na empresa onde ela trabalhava.
“Não queremos cadeirante”, frisou a funcionária, pois o local de serviço não dispunha de rampa de acesso, entre outras adaptações.
Ribas perguntou se poderia ser alguém com deficiência visual ou auditiva. A interlocutora disse que ligaria novamente, pois precisaria conversar com a equipe na empresa para responder. Cinco minutos depois, veio o retorno negativo.
“O que me deixa mais triste é que a pessoa precisou de apenas cinco minutos. Isso não é tempo suficiente para refletir sobre o assunto. No mais, provavelmente, ela perguntou para alguém que não tem o menor entendimento sobre o trabalho da pessoa com deficiência”, diz Ribas, que coordena o Programa de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência do , criado em 2001.
Mais de 500 profissionais com deficiência já passaram pelo Programa. No ano passado, 100 se formaram. Com um semestre de duração, o curso oferece aulas de negociação, comunicação, educação financeira, entre outras disciplinas, que facilitam a inserção do grupo no mercado e, posteriormente, o crescimento dentro da organização. Por meio de parcerias do Serasa Experian com outras empresas, os participantes são preparados e contratados por diversas organizações.
Ribas avalia que uma das maiores barreiras para as pessoas com deficiência conquistarem uma vaga é o desconhecimento que grande parte do público tem sobre a inserção desses profissionais. Outro ponto que dificulta é a generalização. É preciso entender que, muitas vezes, a possível falha de um profissional desse grupo nada tem a ver com a deficiência.
“Se a experiência de contratação foi ruim, é preciso encontrar o verdadeiro motivo. Isso não pode ser um empecilho para contratar outra pessoa com deficiência”, afirma Ribas, que tem doutorado em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) e é paraplégico devido a uma doença chamada mielomeningocele, relacionada a problemas na coluna vertebral.
Nas ruas, um vendedor de cadeira de rodas
 Em 1995, a lesão ocasionada em decorrência de um tiro, durante assalto, fez com que José Braga perdesse os movimentos das pernas e o deixasse dependente da cadeira de rodas. Dois meses depois, ele reassumiu o cargo de gerente de vendas na companhia onde trabalhava.  Era responsável por coordenar equipes e, entre outras ações, criar a estrutura comercial das empresas dos clientes. Em 2001, Braga deixou o emprego.
Nessa época, percebeu a dificuldade de retornar ao mercado, já que muitas organizações não tinham instalações adequadas para receber pessoas com deficiência. Durante dois anos, trabalhou com a instalação de um software de gestão corporativa, como autônomo. Em 2003, soube do Programa de Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, por meio de um primo. Foi quando conheceu João Ribas.
Braga participou do Programa. No fim das aulas, surgiu a oportunidade no Serasa Experian.
“Uma vaga no call center, que não me atraiu muito. Mas Ribas pediu que tivesse paciência e aceitasse, pois eu poderia mudar de cargo, em algum momento”, conta.
A mudança ocorreu somente um ano e onze meses após entrar no emprego. Depois de participar de uma concorrência interna, foi para a área de televendas, que considera “mais dinâmica”. Contudo, ainda não estava satisfeito. E, há cerca de dois anos, enfim, alcançou um cargo similar ao que tinha na época anterior ao trabalho no Serasa Experian.
 “Só que, em vez de gerenciar equipes, gerencio contas de empresas”, explica.
 Entre as empresas, estão Uol, Sky, Folha de São Paulo, Google e o Grupo Bandeirantes de Comunicação. Elas confirmam, no Serasa Experian, dados cadastrais de clientes e informações importantes para quem deseja comprar por financiamento, por exemplo. Há companhias que realizam em torno de 500 mil ou um milhão de consultas mensais.
Todo dia, Braga está nas ruas para visitar organizações que demandam o serviço. Somente em sua carteira, são 30.
 “Vou no meu carro, que é adaptado, e nunca sei dos obstáculos que encontrarei pela frente. Pode ser falta de rampas, dificuldade de encontrar estacionamento próximo. Às vezes, chego a um escritório e solicito que a reunião seja trocada para uma sala com maior facilidade de acesso. Cada caso é um caso”, ressalta.
Por ter se destacado na superação de metas em seu setor, Braga, de 49 anos, ganhou uma viagem internacional, e conheceu os EUA, acompanhado da esposa.

11 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

  3. em algumas companhias de avião (Latam, Gol…) só é permitido o voo gratuito do def.fisico em caso de tratamento médico comprovado, para isso deve preencher cadastro valido por um ano, no caso do acompanhante terá 50% de desconto na viagem. melhores informações no Youtube “Pessoas com deficiência terão passe livre em aviões” ou similares. boa sorte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *