Dra. Fabíola Peixoto Minson explica sobre a Dor do Membro Fantasma

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Daniel Limas e Marco Petucco Jr., da Reportagem do Vida Mais Livre

A dor do membro fantasma é uma das mais terríveis e fascinantes de todas as síndromes clínicas dolorosas , e é um dos exemplos mais relevantes de dor crônica. A maioria dos amputados menciona a percepção de um membro fantasma, quase imediatamente depois da amputação do membro. Ele é geralmente descrito como uma forma precisa do membro real desaparecido.

Este “fantasma” deve ser produzido pela ausência de impulsos nervosos do membro. Quando um nervo é seccionado, produz uma violenta descarga lesional em todos os tipos de fibras. Esta excitação diminui rapidamente e o nervo seccionado torna-se silencioso, até que novas terminações nervosas comecem a crescer. Isto implica que o sistema nervoso central dá conta da falta de influxo normal.
Para trazer mais informações sobre esta síndrome para a comunidade do Vida Mais Livre, entrevistamos a Dra. Fabíola Peixoto Minson, coordenadora da equipe de tratamento da dor do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Confira a entrevista:
Vida Mais Livre: Para começar a entrevista, acho que é conveniente explicar o que é dor.
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Dor é uma experiência física e emocional desagradável. Essa é a definição da Associação Internacional para Estudo da Dor.
Vida Mais Livre: Existem diversos níveis de dor? Como é feita essa classificação?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Existe a dor aguda, que segue um trauma ou uma cirurgia, e existe a dor crônica, que não está relacionada a uma lesão. A dor crônica pode estar relacionada com dores músculo-esqueléticas, dores neuropáticas, entre outras. A dor do membro fantasma, por exemplo, é uma dor crônica.
Vida Mais Livre: Como uma pessoa leiga consegue saber se ela está no nível agudo ou não da dor?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: A dor aguda é aquela que segue um trauma, um traumatismo ou lesão, e dura alguns dias. Mas ela também não é normal, e pode ser tratada. Então uma dor que tem começo, meio e fim, que decorre de uma lesão, um machucado ou uma cirurgia, é uma dor aguda. Outras dores que, geralmente, duram mais do que três meses, de forma contínua ou intermitente, são consideradas crônicas.
Vida Mais Livre: E com relação à intensidade, é possível classificá-la também?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Em relação à intensidade, sim. A dor pode ser fraca, média ou forte, e usa-se muito uma escala chamada escala numérica. Ela vai de zero a dez, sendo que zero é sem dor nenhuma, um, dois e três é para dor fraca, quatro, cinco e seis para dor média, sete, oito e nove para forte, e dez seria uma dor insuportável. Dor é que a pessoa diz ser, e ocorre quando ela diz sentir. Não existe um “dolorímetro” que vai lá e diz ‘isso é dor’. A pessoa avalia a dor de forma subjetiva. Avalia a característica, a intensidade, a localização, fatores de melhora e fatores de piora.
Vida Mais Livre: Existe aquela história de que os homens são mais sensíveis à dor do que as mulheres. Isso é verdade?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Não, isso é um mito. As dores são mais frequentes na população de sexo feminino. Não há uma só resposta para isso. São várias causas, entre hormonais, genéticas e estilo de vida.
Vida Mais Livre: E as crianças, são mais sensíveis à dor do que os adultos?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Não. Cada um tem seu tipo de dor, e não existe uma forma de dizer que homem é mais sensível, ou que criança é mais sensível, ou que essa doença dói mais que a outra, porque a dor é muito individual. Cada um sente de um jeito.
Vida Mais Livre: Existem doenças que causam muita dor. Você pode citar algumas, por favor?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Algumas das mais comuns são a hérnia de disco, diabetes, enxaquecas.
Vida Mais Livre – Entrando na questão da Dor do Membro Fantasma, você pode explicar o que é a síndrome do membro fantasma?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: É uma síndrome em que há uma sensação de dor e a sensação de um membro que já não existe. A pessoa tem a sensação de que aquele membro que foi amputado ainda existe, então ela geralmente acha que está ficando louca porque, por exemplo, não tem a perna, mas sente dor no dedinho.
Vida Mais Livre: E por que isso acontece?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: É como se o nosso organismo tivesse uma memória. Mas não é uma memória na cabeça, mas na medula. Então o nervo, de forma desregulada, leva a informação de dor daquele membro que não existe para a medula, e fica como se fosse gravado.
Vida Mais Livre: Isso acontece com todas as pessoas que amputam algum membro?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Não, só com algumas.
Vida Mais Livre: Qual a porcentagem de pessoas que sofrem com está síndrome?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Normalmente, a incidência é maior entre aquelas pessoas que sofrem mais dores agudas, ou seja, que tiveram uma amputação traumatizante, com muita dor no período pós-operatório de uma amputação. Isso serve tanto para o traumatismo da amputação como para o não tratamento da dor na fase aguda. No geral, cerca de 30% das pessoas com membros amputados apresentam sintomas da síndrome.
Vida Mais Livre: E por quanto tempo a pessoa costuma sentir essa dor?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Às vezes por mais de um ano.
Vida Mais Livre: E qual é a intensidade dessa dor?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Pode variar desde leve até intensa. Na escala numérica que eu mencionei anteriormente, varia de 1 a 10.
Vida Mais Livre: Essa síndrome ocorre com mais frequência após a amputação de algum membro específico?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Não. Ela pode ocorrer em um membro específico, ou pode ocorrer de você ter dois membros amputados e, em um deles, você ter o membro fantasma. Não existe uma regra. Não há uma relação de causa/efeito.
Vida Mais Livre: E qual o tratamento mais indicado para essa pessoas?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Existem medicamentos específicos para essas dores, que são chamadas dores neuropáticas, que são dores que vêm dos nervos. Muitas vezes, as pessoas acham que vão tomar um anti-inflamatório ou um analgésico comum e que isso vai resolver, mas não. São medicamentos específicos, como anticonvulsivantes, antidepressivos, ou outros medicamentos que agem no sistema nervoso central.
Vida Mais Livre: E qual é o médico mais apto para prescrever esse tratamento?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Médicos com especialização no tratamento de dor, que é uma subespecialidade de neurologistas e anestesiologistas, por exemplo.
Vida Mais Livre: É recomendável o tratamento associado com psicólogos ou psiquiatras?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Também. A equipe para este tratamento é multidisciplinar.
Vida Mais Livre: Após o tratamento, as pessoas podem voltar sentir essa dor no membro?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: O tratamento não é para cura, mas para controle. Então é muito importante a pessoa ter essa ideia, porque às vezes, ela pode ter dor e continuar fazendo suas coisas, ou às vezes é melhor não ter dor porque ela vai render melhor nas suas atividades.
Vida Mais Livre: Falando um pouco mais sobre a questão das pessoas com deficiência em geral, existe mais alguma recomendação para evitar a dor para essas pessoas?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Existem várias coisas para ajudar a prevenção, como a reabilitação precoce. Exercícios bem orientados, numa fase precoce, podem prevenir a dor do membro fantasma. Outra coisa é não achar que a dor é normal. Muitas vezes, quando a pessoa vem até o médico, a dor já está num estágio muito avançado, o que pode prolongar e dificultar o tratamento e exigir mais medicamentos. Quando o tratamento começa numa fase precoce, a chance de sucesso é maior.
Vida Mais Livre: Gostaria de comentar mais alguma coisa sobre a Dor do Membro Fantasma?
Dra. Fabíola Peixoto Minson: Acho que o mais importante a gente abordou, que o tratamento é feito por uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeuta, psicólogo e o médico especialista em tratamento de dor, todos atuando em conjunto, com a participação do paciente.

9 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

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