Legislação obriga restaurantes a ter cardápios em Braille

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Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre

Quem nunca ficou com muita vontade de comer algo que tenha acabado de ver em uma revista, em um balcão de lanchonete ou no prato da mesa vizinha no restaurante? É o que chamamos de “comer com os olhos”. Comer é para muitos de nós um enorme prazer, mas para boa parte das pessoas com deficiência visual, ir para restaurantes, bares e lanchonetes é motivo de perder a fome.

Imagine superar todas as dificuldades para chegar a um restaurante, e ao sentar-se e pedir o cardápio em braille, o cliente ouve do garçom: “infelizmente, não temos.” Se esta cena acontecer em São Paulo e em muitas outras cidades brasileiras, este local pode ser denunciado e multado, pois há leis que determinam que restaurantes, bares, lanchonetes e hotéis devem disponibilizar cardápios em braille para pessoas com deficiência visual. Em São Paulo, esse direito é garantido pela Lei 12.363/97, que é regulamentada pelo Decreto Municipal nº 36.999/97.
Apesar de a legislação existir desde 1997 em São Paulo, encontrar cardápios nesta linguagem não é tarefa das mais fáceis. Mesmo não tendo deficiência visual, faça a experiência de pedir um. Regina Fátima Caldeira de Oliveira é deficiente visual e costuma fazer esse tipo de pedido. E também já se acostumou em receber respostas negativas à sua solicitação. “Embora haja leis que obriguem os estabelecimentos a disponibilizar cardápios em braille, ainda há muitos que não as cumprem”, relata.
Regina, que trabalha como coordenadora de Revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e como coordenadora Geral do Conselho Ibero-Americano do Braille, ressalta ainda que a falta de cardápios especiais para pessoas com deficiência visual não é o único problema na hora de ir a um restaurante. “A maioria dos funcionários não está preparada para atender pessoas com deficiência visual. É muito comum encontrar garçons que se dirigem a nossos acompanhantes para saber o que desejamos comer ou beber. Outros, colocam pratos e copos à nossa frente sem nos informar disso, o que, muitas vezes, provoca situações constrangedoras. Esses são apenas alguns exemplos do despreparo do pessoal que trabalha nesses estabelecimentos”, desabafa.
Para amenizar estes problemas, Regina faz algumas recomendações: “o Sindicato dos Trabalhadores em Bares, Restaurantes e Similares deveria procurar as instituições que atendem as pessoas com deficiência visual a fim de, juntamente com elas, organizar palestras destinadas à orientação dos funcionários desses estabelecimentos. As pessoas que pudessem assistir a essas palestras poderiam atuar como multiplicadores entre seus colegas. Essa prática seria bastante proveitosa, pois as pessoas cegas, certamente, iriam sempre nos locais com bom atendimento”, esclarece.
Regina também fez questão de oferecer dicas que podem ajudar as pessoas com deficiência visual a contornar eventuais dificuldades em restaurantes, bares e lanchonetes:
– Escolher bem o restaurante. Se for self-service, melhor ir acompanhado; se não, pergunte se há um funcionário que possa descrever os alimentos e onde eles estão.
– Já na chegada, esclarecer ao funcionário (hostess, maitre ou garçom) que é deficiente visual.
– Pedir para sentar na área de maior fluxo de garçons (para facilitar a solicitação dos serviços).
– Cardápio em braille é lei – portanto, exija: se não houver, peça para o garçom ler os itens, os produtos e os preços.
– É conveniente pedir a disposição dos alimentos (onde está cada alimento no prato).
– Solicitar que certos alimentos, como carnes venham previamente cortados.
– Na hora da conta, pedir para que o garçom leia item por item; nada disso é favor, mas sim obrigação do restaurante para com o cliente.
Como fazer um cardápio em Braille?
A CNTur (Confederação Nacional do Turismo), entidade sindical de grau máximo que representa o setor no Brasil, e a ABRESI (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo) têm parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos para a produção, a preços mais acessíveis, de cardápios em formato braille ou tinta/braille, conforme estabelecido na legislação vigente.
A parceria também prevê treinamento e capacitação de funcionários dos estabelecimentos do segmento, workshops para empresas interessadas em contratar funcionários com deficiência visual e consultoria para adequação dos espaços. A CNTur e a ABRESI congregam cerca de 2 milhões de empresas, que geram aproximadamente 6 milhões de empregos no País.
Vale lembrar que a renda obtida com os cardápios em braille produzidos é totalmente revertida em prol das ações e programas que a instituição realiza há mais de 64 anos com o objetivo facilitar a inclusão social de crianças, jovens e adultos cegos ou com baixa visão.
Serviço:
Cardápios braille
Fundação Dorina Nowill para Cegos – Captação de Recursos
Telefone: (11) 5087-0984
Bons exemplos
Pioneira no setor, a rede de lanchonetes McDonald’s é um local que disponibiliza aos consumidores o cardápio em Braille desde 1989. Todos os 577 restaurantes espalhados pelo Brasil possuem um menu nesta linguagem, que traz o preço e descrição de cada produto.
Além destes locais, a Fundação Dorina Nowill indica, em São Paulo, uma série de outros restaurantes preparados para atender esse público. Confira, abaixo, as dicas:
– Alimentari di Sergio Arno | Rua Pedroso Alvarenga, 545, Itaim Bibi, tel. 11 3167-5667
– Almanara | R. Oscar Freire, 523, Cerqueira Cesar, tel. 11 3085-6916
– Antiquarius | Al. Lorena, 1884, Jd. Paulista, tel. 11 3082-3015
– Barbacoa | R. Dr. Renato Paes de Barros, 65, Itaim Bibi, tel. 11 3168-5522
– O bar baro | R. Pequetita, 179A, Vila Olímpia, tel. 11 3842-6868
– Black Dog | Al. Joaquim Eugênio de Lima, 612, Jd. Paulista, tel. 11 3881-8900
– Congonhas Grill | Av. Washignton Luiz, s/n, 2o. andar, Vila Congonhas, tel. 11 2161-1175
– Fasano | Hotel Fasano, R. Vitorio Fasano, 88, Cerqueira Cesar, tel. 11 3062-4000
– Gelateria Stramondo | Shopping Central Plaza – Av. Dr. Francisco Mesquita, 1000 – Loja 01A e Quiosque, tel: 11 2063-9928 e Shopping Taboão – Rodovia Regis Bittencourt, Km 271,5 – Loja 201 e Quiosque, tel: 11 4135-1115
-La Risotteria – Alesssandro Segato | Rua Pe. João Manuel, 1156, Cerqueira Cesar, tel. 3068-8605
– The Fifties | R. Tabapuã, 1100, Itaim Bibi, tel. 3079-3019
– Via Castelli | R. Martinico Prado, 341, Vila Buarque, tel. 3662-2999
– Wraps | R. Horácio Lafer, 257, Itaim Bibi, tel. 3073-0071
Se você conhece e quer indicar outros bons exemplos, escreva para o e-mail: redacao@vidamaislivre.com.br.

11 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

  3. em algumas companhias de avião (Latam, Gol…) só é permitido o voo gratuito do def.fisico em caso de tratamento médico comprovado, para isso deve preencher cadastro valido por um ano, no caso do acompanhante terá 50% de desconto na viagem. melhores informações no Youtube “Pessoas com deficiência terão passe livre em aviões” ou similares. boa sorte

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