O dom de atuar e se expressar com o coração

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Eduardo Shor, da reportagem do Vida Mais Livre
O título da novela das seis da Rede Globo, cujo último capítulo foi apresentado em janeiro deste ano, era Caras e Bocas. Mas um dos principais assuntos relacionados à trama do autor Walcyr Carrasco diz respeito aos olhos. Mais especificamente, aos olhos da atriz Danieli Haloten. Com deficiência visual, ela interpretou a personagem Anita, com o mesmo tipo de deficiência.
Danieli, que nasceu em 1980, perdeu completamente a visão aos 17 anos, por causa do glaucoma, uma lesão no nervo ótico. O processo foi gradativo. Desse modo, adaptou-se ao problema aos poucos. Nessas condições, superou os obstáculos para se formar em Artes Cênicas, na Universidade Federal do Paraná, e Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica do estado.
“A maior dificuldade é encontrar livros didáticos em braile ou formato digital. Muitas vezes, temos que pagar a mais para produzir um livro assim, com objetivo de suprir a deficiência das instituições de ensino”, conta Danieli, que recebe os textos de sua personagem em braile.
O primeiro trabalho em televisão foi em 1999, na TV Comunitária. No ano seguinte, apresentou o Danieli Multhi Show, na Band. Quando o programa saiu do ar, passou por cidades entre Curitiba e São Paulo, em busca de emprego, nos canais de TV.
“Nas cidades, seria interessante alertar, de alguma forma, para obstáculos que a bengala não detecta, por estarem localizados acima da cintura, como telefones públicos e determinadas lixeiras. Identificar o sexo correspondente ao banheiro, em braile, também ajuda. Outra medida interessante seria a criação de campanhas de conscientização da sociedade, relacionadas às leis de trânsito e a presença do cão-guia”, exemplifica.
Digite “Danieli Haloten” no YouTube e confira as participações da atriz na novela e em programas de TV.
Nem Helena, nem Leblon
 
Na novela da Rede Globo Viver a Vida – ainda no ar – não é apenas o bairro carioca do Leblon ou a tradicional personagem Helena, do autor Manoel Carlos, que roubam a cena. A atriz Alinne Moraes vem arrancando elogios do público na interpretação de Luciana, que sofreu um acidente de ônibus e ficou tetraplégica (sem os movimentos da altura do pescoço para baixo).
A gravação da cena foi realizada em três partes. O plano geral do momento que antecedeu o acidente, na estrada, foi filmado na Jordânia, entre Petra e o deserto de Wadi Rum, durante dois dias de maio. As cenas dramáticas dentro do ônibus foram gravadas nos estúdios especializados em efeitos especiais, do Projac. A capotagem do coletivo e o resgate foram filmados em Itaguaí, no interior do estado do Rio.
Por motivos de segurança, apenas um dublê, que dirigia o veículo, participou da cena da capotagem.