Vanderlei Ferreira de Lima

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Vanderlei Ferreira de Lima

Quando eu tinha 15 anos de idade, voltando do serviço, já próximo de minha residência, encontrei um amigo que estava com sua bicicleta Caloi 10. Pedi para que ele deixasse eu dar uma volta. Depois de muita insistência, ele deixou eu dar uma tão esperada volta. Subi rua, desci rua, e, na minha última volta, em uma curva à direita, passei reto e me deparei com uma perua na minha frente, que me jogou contra uma pilha de blocos. Fui parar no pronto socorro com uma parte do calcanhar quebrada e arranhões. O médico pediu para eu usar gesso durante três meses, mas quem disse que conseguir seria fácil. Nessa época, eu curtia muito ouvir música e dançar com amigos. Num desses dias, era meu aniversário e de um amigo, então resolvi tirar a metade do gesso até o joelho, indo curtir o meu aniversário com ele.

Depois de alguns dias, retornei ao médico, levei uma bronca enorme e o médico mandou colocar um novo gesso até a coxa. Não demorou muito tempo, peguei um barril, enchi de água e coloquei o pé dentro, peguei um serrote e comecei a serrar até sair todo gesso! Isso tudo por rua não aguentava ficar dentro de casa. Arrumei uma muleta e comecei a andar. Passando um tempo, comecei a sentir falta de forças na perna direita, no local onde foi quebrado. Então, o médico resolveu fazer um cirurgia no joelho, que de nada adiantou. Mesmo com fisioterapia, eu comecei a cair muito e de um jeito esquisito.

De repente, estava em pé conversando com alguém e, quando menos esperava, eu estava no chão! Então fui atrás de vários tratamentos, já com 24 anos, vim a descobrir que tinha um doença genética conhecida como distrofia muscular cintura. Hoje, com 44 anos, faço uso de cadeira de rodas motorizada para longa distância. Minha mobilidade é reduzida, ando muito pouco. Se tropeçar, caio como uma tábua no chão. Meus braços são muito fracos, mal consigo escovar os dentes ou lavar a cabeça. Fico longe de crianças e multidões. Quando me deparo com isso, logo me encosto na parede para não esbarrar em alguém ou alguém esbarrar em mim! Isso é um pouco da minha história. Mas não me deixo cair, estou 100% bom, em vista de outros fatos.