Conheça a história de Luis Kassab, colunista do Vida Mais Livre

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Luis Carlos Cocola França Kassab nasceu na capital paulista há 37 anos, em dois de abril de 1978. O advogado possui deficiência congênita, uma má formação nos membros inferiores que tornou necessário o uso de uma cadeira de rodas. Neste bate-papo, ele fala sobre a importância da família na sua vida, cita o preconceito enfrentado diariamente e nos conta como perdeu o medo de nadar e se tornou vice-campeão brasileiro de natação.

VML: Como foi sua infância e adolescência?

Luis Kassab: Apesar de minha deficiência ser congênita, minha infância e adolescência foram como de qualquer pessoa: estudando, brincando, viajando e curtindo meus amigos, graças ao apoio e incentivo da minha família, que com muita luta e determinação deram condição a uma criança com deficiência ter seus direitos de cidadão respeitados.

A importância da família unida e consciente é fundamental. A luta por uma escola que aceitasse minha condição, decisões médicas que deram qualidade de vida e, acima de tudo, um tratamento igual a todos, principalmente aos meus irmãos, sempre respeitando as minhas limitações, foram fatores importantes na minha vida familiar.

Se hoje estou formado em direito, trabalhando, morando sozinho e pagando minhas contas, agradeço à minha família, que deu todo o apoio para que eu me tornasse um cidadão, mesmo diante de todas as dificuldades que ainda temos que superar.

VML: Como você lida com a sua deficiência? Já sofreu algum tipo de preconceito ou dificuldade?

Luis Kassab: A deficiência nunca foi algo que me incomodasse, como já mencionei, graças ao apoio da minha família. Dificuldades existem e sabemos muito bem que o simples ato de sair de casa para estudar, trabalhar ou por lazer está cercado de barreiras relacionadas tanto à acessibilidade (ou a falta dela), como atitudes de outras pessoas. Já experimentei dificuldades como utilizar o transporte público ou ter vagas reservadas para pessoa com deficiência utilizadas indevidamente por outros motoristas, entre tantas outras barreiras.

Quanto ao preconceito, infelizmente este ainda é vivido diariamente com um simples olhar de piedade ou de estranheza. As pessoas ainda não estão acostumadas com o diferente, e nossa função é mostrar que, apesar dessas diferenças, somos todos iguais.

VML: O que você estudou? Hoje, trabalha em que área? Está relacionada com pessoas com deficiência?

Luis Kassab: Estudei na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e sou advogado. Trabalho atualmente na Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo como Coordenador de Atividades Sociais, atuando junto ao Departamento de Políticas Afirmativas e conselhos municipais na Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. O trabalho está ligado diretamente às pessoas com deficiência e às políticas afirmativas voltadas à causa. Além disso, atuo de forma voluntária como Presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/SP – São Bernardo do Campo/SP. Ilustração

VML: Você tem alguma curiosidade ou acontecimento para compartilhar com nossos leitores?

Luis Kassab: Vou compartilhar com os leitores como foi minha iniciação na natação. Só para esclarecer – após perder o medo e começar a nadar, não larguei mais o esporte e, nos tempos da juventude, até me tornei vice-campeão brasileiro de natação.

Vamos ao que interessa: sou filho caçula e, quando nasci, meus pais já frequentavam um clube com meus irmãos, que adoravam brincar na piscina. Meus pais queriam que eu pudesse desfrutar da piscina do clube como meus irmãos e a primeira atitude foi me matricular numa escola de natação. A tentativa foi frustrada por diversas razões absurdas, como a que eu nunca conseguiria nadar ou até a de que minha deficiência causaria mal estar aos outros alunos.

E como resolvemos este problema? Meu irmão mais velho resolveu. Confesso que tinha muito medo, ficava imaginando como eu faria para nadar sem meus movimentos da perna, mas meu irmão, com a ideia de que eu não era diferente de ninguém, colocou boias salva-vidas em meus braços e, sem me dar tempo para pensar ou reagir, me arremessou no meio da piscina. Loucura? Eu chamo de atitude.

Depois de vários lançamentos, fui perdendo o medo e descobrindo que tinha condições sim de nadar, até me tornar um apaixonado pela natação. Foram atitudes simples e corajosas como a de meu irmão que, com certeza, me ajudaram a enfrentar as barreiras impostas pela sociedade e me tornaram o homem que sou hoje, com autonomia diante das dificuldades e pronto para enfrentá-las.

Confira a coluna de Luis Kassab aqui.

9 respostas para “O que aprendi ao falar no TEDx Talks”

  1. Bom dia. Sou pessoa que gagueja e a vida toda sofri com essa dificuldade. Não consigo me expressar a maneira que gostaria. A gagueira me causa sofrimento, tenho 36 anos e sempre gaguejei. No trabalho isso me causa desconforto, porque as pessoas não entendem o que é a gagueira, alguns riem, outros fazem piadas, outros tem pena de mim. Em entrevistas de emprego sou excluída.
    Não sou uma pessoa considerada ” normal”, mas também não sou considerada deficiente. Esse projeto de lei me trouxe esperança. Muito obrigada pela postagem.

  2. Vcs que tem alguma diferença física dos outros, nuncam se sintam inferiores, somos todos iguais. Deus, Ele nos fez perfeitos com muito amor e todos somos capazes, nunca deixe se elevar pelo sentimento ruim de alguém que não sabe se expressar, qualquer ser humano pode superar suas dificuldades, se orgulhe de vcs, são capazes de fazer sempre o melhor, e use a seu favor: a paciência, benovolência e a calma e toda a sabedoria que vcs tem. Um grande abraço meus irmãos.

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