‘Não tem diferença’, diz mulher que cuida de cães com deficiência no AP

‘Boby’ e ‘Gigante’ sofreram acidentes e tiveram as patas amputadas. Pessoas ainda têm preconceitos em adotar animal deficiente.

Close de Ana Cristina fazendo carinho no cão Boby, que teve as patas traseiras amputadas
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O preconceito na adoção de animais com alguma deficiência ainda é um desafio para as ONGs de proteção aos animais no Amapá. Os cuidados e os gastos quase sempre são usados como desculpa por quem se recusa a adotar um cachorro sem patas, cego ou surdo. Mas para a dentista e professora Ana Cristina da Silva, de 42 anos, isso está longe de ser um problema.

Ela adotou os vira-latas ‘Boby’ e ‘Gigante’, ambos com amputações de patas. As histórias dos dois cães envolvem maus tratos, lembranças que a dentista faz questão de deixar para trás.

“Cachorro vira-lata ninguém quer. Se for deficiente, menos ainda. Para mim, não tem diferença entre cães com e sem deficiências. As pessoas abandonam os idosos, os deficientes; ocupam vagas de idoso, de deficiente na rua. Se elas são capazes de fazer isso com o ser humano, imagina com os animais”, lamenta Ana Cristina.

Ana conta que conheceu a história de Boby pela internet em 2013 e o adotou após ele ter sido levado diversas vezes para feirinhas de adoção em Macapá e não ter sido escolhido. Ele sofreu um acidente de trânsito e fraturou as duas patas traseiras.

A antiga dona pediu ajuda a uma ONG e ele passou por cirurgia. Mas dias depois a família quis doá-lo por conta da recuperação. Com a falta de cuidados, ele precisou ter as duas patas amputadas.

No caso do Gigante, além de não ter a pata direita da frente, ele é um cachorro idoso. O cão foi adotado em fevereiro e ainda está em período de adaptação com os outros animais da casa, conta Ana Cristina.

“Encontraram o Gigante na rua, todo magro, com a pata quebrada. Os voluntários da ONG levaram ele, fizeram o tratamento e o Gigante foi para o abrigo. Só que as pessoas não gostam de adotar cachorro idoso. Ele ainda está em fase de adaptação. O Boby, como é muito territorialista, ainda não se dá bem com ele”, diz.

Mesmo trabalhando nos três turnos, a dentista afirma que adotar os cachorros e cuidar deles é como uma terapia.

“Ter um cachorro é uma terapia. Tanto para mim quanto para eles. A gente não gasta muito. O que eu gasto com eles é pouco perto da felicidade que eles me passam. É difícil eu ver um ser humano que me olha como eles me olham”, concluiu Ana Cristina.

Além de Boby e Gigante, a dentista também cuida da vira-lata Preta, do rottweiler Preto, e de uma gata chamada Branquinha.

Foto: Fabiana Figueiredo / G1

Fonte: G1

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